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segunda-feira, 5 de julho de 2010

engano




















tentei ser densa, mas mal falo
quis ser prolixa, mas falho
caos e intento o que trago
num desejo nessa elegia

não há utopia que não sufoque
que não se arroxeie sem respiração
que viva sem a alforria do verbo
e não morra sem ar à espera da rima

o sonho de ser parece pouco
demasiado pouco
para quem quase nada almeja
e guarda-se para a palavra precisa

já desfalar das terras do sem fim
esquecer o bruto que apossou-se
desse ato falho que tornou-se ira
nuance borrada dessa verborragia


não amo descompassada e cega
nem sei afirmar desafirmando
o que sei é falsete do duvidar
mira no olho e bala na agulha

deixar que o quase debulhe
chore sozinho e calado
pois o mote doutro lado
é apenas ilusão e sangria.

3 comentários:

Analuka disse...

Linda demais, esta foto azul-lilás cintilante! (Faltou aqui o poema da Larissa). Beijos alados!

Larissa Marques disse...

Não falta mais.

Analuka disse...

Escreves muito bem, Larissa!
És hábil, perspicaz, cortante,ao mesmo tempo mui poética, incisiva, sem perder a sutileza da palavra que desliza, fere, fecunda... Parabéns!