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sábado, 19 de março de 2011

Mérimée





enquanto esses olhos choram
as vísceras já não sangram
foram despejados da morada
não habitam mais meu coração

se quero do outro
me calo diante dele
transmuto-me Carmem
travestida em lábios carmim

quem dera saber ser eu
não sofrer mais
não mais sentir
quem dera...

não mais carmim!

rogo para que essas mãos
e essa carne encardidas
não mais te enganem
estou distante de tudo

já não tenho compromisso
com a verdade plena
ou reservas
para paixões tardias

as promessas se calaram
numa ópera sofrida
e aquele olhar impetuoso
não me pertencem mais.


performance de Nayra Carvalho
e parceria na arte visual com Krista Yorbyck

5 comentários:

Don Ramon disse...

Poderoso.

Larissa Marques disse...

resposta pro seu Carmen Carmim.

Anônimo disse...

Adorei esse poema, gosto deste pequeno verso:

"já não tenho
compromisso
com a verdade plena..."

Bastante inteligente, pois sabemos que a verdade não existe, existe o sentido e mesmo ele é fugídio. Significações são perdidas, passam pela vida, entre as nossas mãos guardamos frutos alados, são promessas de partidas. Sempre mudamos.

Sindri disse...

quem tem compromisso com a verdade plena?

Larissa Marques disse...

eu não tenho!