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quinta-feira, 17 de março de 2011

estrangeiro





que dizer a esse homem que amo
e que desconheço
que não beba de minha essência
que não leve meus frutos?

que me tome, estrangeiro
feito doce escrava
serei pão e vinho
e contenda divina
enquanto me quiser
seios e ancas

desconheço as águas
que o trouxeram, meu amado
mal sabia dos versos
que jaziam em seu traçado

quantas mulheres não importa
furtivas são as portas
os velos de um querer
sem passado
onde não há hora
para um coração tardio

meu amado,
não quero seu país
desejo-lhe estrangeiro
invasor dessas terras
por hora, improdutivas.






performance de Nayra Carvalho
e parceria na arte visual com Krista Yorbyck

5 comentários:

Leonardo B. disse...

Recordam-me uns versos da Ana Paula Ribeiro Tavares:

«Não conheço nada do país do meu amado
Não sei se chove, nem sinto o cheiro das
laranjas.
Abri-lhe as portas do meu país sem perguntar nada
Não sei que tempo era
O meu coração é grande e tinha pressa
Não lhe falei do país, das colheitas, nem da seca
Deixei que ele bebesse do meu país o vinho o mel a carícia
Povoei-lhe os sonhos de asas, plantas e desejo
O meu amado não me disse nada do seu país
Deve ser um estranho país
o país do meu amado...»


Belíssimo conjunto,

Um imenso abraço,

Leonardo B.

Thiago disse...

Belas palavras e fotografia integrante - natureza humana ocre, sépia e vívida.

Palavras a um estrangeiro
corajosas, de luta, força, afeto e entrega

Abismos inexistentes
desprender de si e do outro
de momento
de intento
intenso no que for
de carne, sem ranços

Parabéns

FaNa disse...

perfeito!

Larissa Marques disse...

Leonardo B.,
que bom que está por aqui!
beijos além mar!

Gustavo disse...

Belíssimos poemas escritos com sangue e espírito!