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quinta-feira, 17 de março de 2011

sobre chá e colheres




deslumbrado com a passividade
com gravidade do aroma
com a pureza da água
na febre de folhas e flores mortas

o chá esfria

desinteressado do universo
ou do verso paralelo
não cabe nos dias
ou tão pouco se ilude em horas

o chá esfria

diluído em xícara
surrado por colheres
da direita para esquerda
decanta visceral

são cinco horas
e está tudo bem.



performance de Nayra Carvalho
e parceria na arte visual com Krista Yorbyck

4 comentários:

Manoel Magalhães disse...

Vou confessar uma coisa: adoro mágica, mágicos! Fico literalmente babando quando vejo coelhos emergirem de cartolas, lenços virarem cobras, papéis coloridos se transformarem em borboletas. Fico louco, morrendo de inveja. Tenho vivido até agora para descobrir os prestidigitadores de palavras, seres meio-anjos-meio-demônios cuja razão d...a existência é trazer à tona a escritura da alma. Vejo isso como mágica, que irrompe sonora, recendendo a líquidos, explodindo como flores exóticas. Tua escrita borboleta-coelho-cobra-vinho-nêspera-sol-lua-mar-ar me encantou. Parabéns, menina. Um abraço. .

Luis Fernando disse...

Pensava que uma xícara de chá era só isso: Uma xícara com algum chá dentro, simples.

Mas a sabedoria e outras coisas se escondem na simplicidade. O desafio é enxergar. Obrigado por me fazer ver!

Larissa Marques disse...

beijo para os dois!
.
Manoel,
agradeço o carinho em atender meu pedido em transcrever tão belo e incentivador comentário!
.
Luis,
a magia não está só na mão do mágico, mas também nos olhos de quem vê!
obrigada!

Sindri disse...

Merecidas palavras em teu amago Larissa.