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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

das coisas belas e sujas




















essa face rasa respinga
no concreto
é o asco que abarca seres
rancorosos e magoados
iguais a você

surge com suas mãos
seus dedos sobre olhos
máscaras de esconder
com toque nocivo
que desdenha o que
mais quer

feche o punho que a vertigem
é mais soco que miragem
reflete o que há de belo
e aceitável

é imiscível com o que trago
sou suja, incurável
muco e substância
fétida

não vivo em seu mundo
e se sou uma qualquer
não sou para seus olhos

o que há de mais precioso aqui
é o que não pode alcançar
ou ao menos perceber.

4 comentários:

Analuka disse...

São muito lindas tuas fotos, menino poético telúrico!... e me inspiram a pintar! Beijos oníricos.

Cristina Jordano disse...

Larissa,
Sabe, o que é mais belo que o lírico e o apogeu dos fantasmas no breu das incomodações fantasiosas? O punho que ganha rumo e exerce esse poder de atração contextual sobre os delírios mais comoventemente reais... De pé, aplaudindo!

Poeta de Marte disse...

EXCELENTE!!

Fernando L. disse...

Poeta,
Os olhares se cruzam cautelosamente, procurando enxergar o interior da pessoa, tentando descobrir o verdadeiro âmago que se oculta por trás da aparência que, por não ser translúcida, oferece apenas a expressão ensaiada que o momento exige. Os gestos, as palavras e, mesmo, a postura física são também analisadas neste mesmo instante, sempre à busca da revelação que cause a desejada aceitação. Mas nem sempre esses detalhes são suficientes para um perfeito ajuizamento, eis que a sutileza humana é pródiga em realizar camuflagens eficientes, capazes até de dissimular a verdadeira personalidade oculta, por vezes, por uma capa de simpatia que, à primeira vista, possa sugerir coisa diversa dessa prematura avaliação. Abraços!