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terça-feira, 25 de outubro de 2011

estirpe




pede os calos do mundo
como se soubesse suportar
mas mal entende a realidade

roga os vazios mundanos
como se ainda existissem lutas
que não causassem danos

sabe bem de sua origem
mas não lhe cobrem os panos
mostra-se nua feito as putas

não há como julgar uma rainha
essa que se cobre de enganos
só há o que dizer do belo

daquela que nos enfeitiça
sobram as lágrimas
de quem viu e não pôde tocar

sabe bem de sua semente
musa rubra de felicidade
pouca e pernoitada

vê que não lhe pedem nada
além do suplício de ser
a vertente intocada.


performance fotográfica de Constanza Ofelia Rodriguez

Um comentário:

Analuka disse...

Um ácido poema, para uma imagem cheia de sonhos, asas e encantos...