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terça-feira, 25 de outubro de 2011

o sonho de Lilith



veio pela fumaça cavalgando Cérbero
altiva e por hora a chamarei de Hécate
a guardiã escarlate das portas do inferno

há quem diga que tem asas
que seus cabelos longos
e vermelhos como fogo
trazem um aroma de inexplicável
de sémen e mirra

o desejo passivo nos olhos
travestia seu coração de pedra
afeita a tomar falos em contrações
que de tão violentas eram castrantes

quem há de se olhar refletido
nesse espelho de mil faces
sem que a deseje e se sinta impotente
enquanto o peito esmagado arfa
e o sorriso debochado estremece?



performance fotográfica de Constanza Ofelia Rodriguez

3 comentários:

Robério Correia de Matos disse...

Parabéns, Larissa! Misterioso, sensual e de cunho mitológico, "o sonho de Lilith". Gostei demais, amiga!

Bjus.
Robério Matos

Larissa Marques disse...

Obrigada, Robério! beijo!

Analuka disse...

Poema incandescente, afinadíssimo à imagem, parabéns pela forte e vibrante conjunção!!!