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terça-feira, 25 de outubro de 2011

escarlate



enquanto todos os sonhos
se vão com o vento seco
e com as folhas avermelhadas
que parecem rir de bobagens
arrastadas junto com o pó

ela está ali convicta
imaginando que nada poderá
tirar a luxúria de seus olhos
que miram a vastidão horizontal
de um tempo tão ido, tão ido

pobre princesa rubra
assiste passiva sua imagem
espelhada em mil faces falsas
que gargalham entre si
e ela jura que é amor

queria voltar à inocência
que havia antes do vento
arrancar-me as folhas
antes das tempestades
levarem galhos e âmbar

rica princesa rubra
assiste passiva sua imagem
espelhada em mil faces de si
e gargalha entre imagens
e ela sabe que é amor.



performance fotográfica de Constanza Ofelia Rodriguez

Um comentário:

Analuka disse...

Entre sonhos e folhas secas, cinzentas ou rubras, espalha-se e sobrevive o pó das estrelas... Muito bonitos e intensos, tanto a imagem quanto o poema, desdobram-se em desejos e angústias, risos e pulsações!!!